Após a repercussão da matéria publicada pelo Ilhéus 24h sobre o animal encontrado morto na praia do Marciano, zona norte de Ilhéus, em frente à Escola Batista Memorial, o Projeto (a)mar confirmou que se trata de um boto-cinza (Sotalia guianensis), e não de um golfinho, como inicialmente informado.
De acordo com o levantamento feito pela equipe técnica que esteve no local, o animal era um macho adulto de aproximadamente 1,70 metro de comprimento, que morreu por afogamento decorrente de interação com rede de pesca de arrasto, apresentando quadro de embolia pulmonar.
Ainda segundo o Projeto (a)mar, o boto estava em estágio de decomposição entre os códigos 3 e 4, com marcas visíveis de rede nas nadadeiras e no corpo. Um detalhe que chamou a atenção dos pesquisadores foi o fato de que a nadadeira caudal (o rabo) foi cortada com objeto perfurocortante, prática que, segundo o projeto, pode ter sido feita para dificultar a identificação do animal ou para retirá-lo de redes de pesca.
A equipe também destacou que as redes de pesca, sejam de arrasto, espera ou “fantasmas”, são responsáveis por mais de 70% das mortes de botos e golfinhos no litoral baiano. Somente em 2025, este foi o sexto boto-cinza encontrado morto em Ilhéus.
O caso reforça o alerta sobre os impactos da pesca predatória e a necessidade de medidas mais rigorosas de fiscalização e conscientização ambiental no litoral sul da Bahia.
