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Trabalhadores e sindicatos criticam protesto contra importação de cacau e alertam para risco de desindustrialização no Sul da Bahia.

Lideranças sindicais e operários do setor moageiro temem que atos “políticos e oportunistas” provoquem desemprego em massa e o sucateamento de indústrias da região.

Trabalhadores das indústrias moageiras de cacau do Sul da Bahia, produtores rurais e líderes sindicais manifestaram profunda preocupação com o protesto realizado na manhã desta quarta-feira (28), no Porto de Ilhéus. O ato, organizado contra a importação de amêndoas, foi duramente criticado por quem depende da operação fabril. Segundo as lideranças, a importação é essencial para garantir o pleno funcionamento das unidades e a manutenção dos postos de trabalho.

Em nota divulgada nas redes sociais, os trabalhadores alertaram que o movimento pode causar prejuízos severos às economias do Sul e Extremo Sul da Bahia. O principal temor é o “sucateamento” do parque industrial e o desemprego em massa, citando como exemplos negativos o fechamento das empresas Barreto de Araújo e Itaísa em décadas passadas.

Picadeiro político

A crítica mais contundente dos sindicatos recai sobre a condução do protesto. Segundo as lideranças, o ato foi utilizado como palanque eleitoral. “Transformaram o Porto em um verdadeiro picadeiro com discursos políticos e oportunistas em nome do cacau”, afirmaram representantes da categoria.

Para tentar despolitizar o debate e buscar soluções viáveis, Augustão, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral (Sintrasul), anunciou a criação de um Fórum Aberto Permanente. A iniciativa visa reunir toda a cadeia produtiva em uma equipe de trabalho multidisciplinar para discutir o futuro da região cacaueira com base em dados técnicos e não em retórica partidária.
Os trabalhadores recordaram o colapso da Itaísa, que na época era uma das indústrias nacionais mais modernas. “Deixaram a empresa fechar por falta de compromisso. Recebiam o dinheiro adiantado e não entregavam o cacau contratado. Quebraram a indústria e agora corremos o risco de ver isso acontecer com as demais empresas e até com o Porto de Ilhéus”, desabafaram.

Sobre a tese de que a importação derruba os preços pagos ao produtor local, os sindicalistas foram diretos: a precificação é global. “Todos sabemos que quem define o preço do cacau não é a indústria local. As commodities são regidas pelas bolsas de valores internacionais (Nova York e Londres), explicaram.

O fórum de discussões surge como uma tentativa de unificar o setor. A ideia é que trabalhadores, governos, instituições bancárias, produtores e a indústria moageira sentem à mesa para formalizar propostas que fomentem a produção nacional sem inviabilizar o parque industrial existente.

“Não existe produtor sem a indústria e vice-versa. Essa é a hora de formalizarmos propostas unificadas para sairmos do buraco onde estamos, em vez de continuarmos cavando ainda mais o fundo do poço”, concluiu a liderança do Sintrasul.

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